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Os Reformadores
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Episódio 14 · 1562

O Saltério de Genebra

“Cento e cinquenta salmos”

Genebra, 1562. Em várias oficinas ao mesmo tempo, impressores tiram o mesmo livro. Um deles, multado, alega que não pôde esperar o papel secar.

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O que era

Os 150 salmos de Davi em versos franceses, com música, para a igreja cantar. O livro completo saiu em 1562.

Os versos são de Clément Marot (49 salmos) e de Teodoro de Beza (101). O prefácio, sem assinatura, é de Calvino.

Calvino não compôs as melodias: são de cantores como Guillaume Franc e Louis Bourgeois, de um "Maître Pierre" e de anônimos.

A pressa de 1562

Os impressores de Genebra se associaram para tirar o livro. Parte das despesas ia para a bolsa dos pobres: os direitos que Beza cedeu.

Somaram 27.400 exemplares com a data de 1562 (segundo Pidoux). Houve edições também em Lyon e Paris; Douen contou 62 entre 1562 e 1565.

O provável "Maître Pierre" das melodias novas, Pierre Davantès, morreu em agosto de 1561, antes de ver o livro.

Linha do tempo

  1. 1539Estrasburgo: Aulcuns pseaulmes et cantiques mys en chant
  2. 1542Genebra: salmos em francês com música e a Epístola de Calvino
  3. 10 jun. 1543Data da Epístola ampliada
  4. 1544Morre Clément Marot, com 49 salmos prontos
  5. 1551Octante trois Pseaumes: mais 34 de Beza; a melodia do Salmo 134
  6. dez. 1551Louis Bourgeois é preso e sai no dia seguinte
  7. maio de 1558Paris: salmos cantados no Pré-aux-Clercs; o rei proíbe
  8. 1561 – 1562Privilégio de Carlos IX; os 150 salmos impressos
Calvino
“E portanto, quando os cantamos, estamos certos de que Deus nos põe na boca as palavras, como se ele mesmo cantasse em nós, para exaltar a sua glória.”

“Et pourtant, quand nous les chantons, nous sommes certains que Dieu nous met en la bouche les paroles, comme si luy-mesme chantoit en nous, pour exalter sa gloire.”

Calvino, Epístola ao leitor, Genebra, 10 de junho de 1543 (saltério de 1562) · tradução literal nossa
Beza a Marot
“Ai! Morreste sem ter avançado senão um terço da obra começada.”

“Las! tu es mort sans auoir auancé / Que le seul tiers de l'œuure commencé”

Teodoro de Beza, À Igreja de Nosso Senhor, prefácio em versos (saltério de 1562) · tradução literal nossa

Mito e fato

MitoOld Hundredth é o Salmo 100 de Genebra.

FatoEm Genebra, essa melodia é a do Salmo 134. O nome inglês vem do Salmo 100 do saltério anglo-genebrino de 1561.

MitoCalvino compôs as melodias.

FatoCalvino escreveu o prefácio. A melodia do 134 é de 1551, provavelmente de Louis Bourgeois (Pidoux).

O que se ouve no episódio

A narração completa, com as falas dos personagens. As falas são palavras registradas, com a fonte na lista abaixo.

NarradorGenebra, começo de 1562. Em várias oficinas ao mesmo tempo, impressores tiram o mesmo livro. Um deles, multado, alega que não pôde esperar o papel secar. 20 anos antes, Calvino tinha publicado em Genebra salmos em francês, com música, para a igreja cantar. No prefácio, em 1543, escreveu:

CalvinoQuando os cantamos, estamos certos de que Deus nos põe na boca as palavras, como se ele mesmo cantasse em nós, para exaltar a sua glória.

NarradorOs versos eram sobretudo de Clément Marot. Ele morreu em 1544, com 49 salmos prontos. Teodoro de Beza rimou os outros 101 e, no prefácio, disse a Marot:

BezaAi! Morreste sem ter avançado senão um terço da obra começada.

NarradorLouis Bourgeois, cantor de Genebra, compôs e revisou melodias. Acusado de mudá-las sem licença, foi preso; Calvino afirmou que o Conselho consentira, e ele saiu no dia seguinte. Em Paris, em 1558, alguns começaram a cantar salmos num prado público, e muitos se juntaram. Segundo a história atribuída a Beza, havia tal acordo e reverência que todos ficavam arrebatados, até os que não podiam cantar. O rei Henrique segundo mandou proibir. Em outubro de 1561, o rei Carlos nono deu privilégio para imprimir os 150 salmos. Só os impressores associados de Genebra somaram mais de 27000 exemplares com a data de 1562. Houve edições também em Lyon e Paris. No livro, o Salmo 134.

Galeria

Os 27.400 exemplares e o caso de Bourgeois vêm dos registros do Conselho, via Pidoux; as 62 edições, só de Douen. Traduções nossas.

O Salmo 1 no saltério de 1562. Les Pseaumes, Genebra, Jean de Laon, 1562 · Domínio público. (Resolução baixa, 376 × 680: mostrar pequeno, em moldura. A descrição do Commons diz Psaumes de David.)
Les Pseaumes: a folha de rosto. Lyon, Jean de Tournes, 1563 · Domínio público.
Pseaumes octante trois de David: a folha de rosto. Genebra, Jean Crespin, 1551 · Domínio público. (É a edição de onde vem a melodia do hino.)
João Calvino. René Boyvin, gravura, 1562 · Bibliothèque de Genève · Domínio público.
Teodoro de Beza. Anônimo, óleo sobre madeira, 1577 · Bibliothèque de Genève · CC0.

Para salvar

O resumo do episódio em oito cartões. Deslize para o lado.

Cartão 1 do resumo de O Saltério de GenebraCartão 2 do resumo de O Saltério de GenebraCartão 3 do resumo de O Saltério de GenebraCartão 4 do resumo de O Saltério de GenebraCartão 5 do resumo de O Saltério de GenebraCartão 6 do resumo de O Saltério de GenebraCartão 7 do resumo de O Saltério de GenebraCartão 8 do resumo de O Saltério de Genebra

Fontes de cada afirmação

Afirmações e fontes

Narração Fonte
Genebra, começo de 1562: em várias oficinas ao mesmo tempo, impressores tiram o mesmo livro Registros do Conselho, jan.–fev. 1562 (a "communion" dos impressores; sete impressores repreendidos em 5/2/1562), em Pidoux II, p. 127–129; Douen I, p. 562–563 (muitas edições de 1562)
Um deles, multado, alega que não pôde esperar o papel secar. Na tela: "segundo os registros do Conselho de Genebra (ed. Pidoux)" Jean Riveri, R. C. 56, fol. 303, 3/2/1562 ("il luy a fallu les imprimer soudainement il n'a peu attendre que le papier fut sec"), em Pidoux II, p. 128: fonte única
Vinte anos antes, Calvino publicou em Genebra salmos em francês, com música, para a igreja cantar. Na tela: "Genebra, 1542" La forme des prieres et chantz ecclesiastiques (Genebra, 1542), em Calvini Opera VI, Prolegomena XIII; Wursten
O prefácio é de Calvino; o trecho citado é de 1543 Colladon, Vie de Calvin (1565), citado em CO VI ("une belle preface faicte par luy mesme"); Pidoux; CO VI, col. 169–172 e nota (o acréscimo de 1543)
CALVINO: "Quando os cantamos, estamos certos de que Deus nos põe na boca as palavras, como se ele mesmo cantasse em nós, para exaltar a sua glória." Na tela: "Calvino, Epístola ao leitor, Genebra, 10 de junho de 1543" Saltério de 1562 (Perrin, folha n14; a data "De Geneue, ce 10. de Iuin, 1543" na n15); saltério de 1563 (Mortières); CO VI, col. 171. O "E portanto" inicial ficou de fora no vídeo; o "os" são os Salmos de Davi
Os versos eram sobretudo de Clément Marot. Ele morreu em 1544, com 49 salmos prontos BnF e Wursten (morte em 1544); título de 1553 via Pidoux (49 de Marot); "sobretudo" porque a edição de 1542 trazia também salmos rimados por Calvino (Pidoux II; CO VI)
Teodoro de Beza rimou os outros 101 Saltério de 1562 (150 salmos, Marot e Beza); 34 de Beza em 1551, mais 6 em 1554, o resto certificado em outubro de 1561
BEZA: "Ai! Morreste sem ter avançado senão um terço da obra começada." Na tela: "Teodoro de Beza, À Igreja de Nosso Senhor, no saltério de 1562" Saltério de 1562, folha n19 ("Las! tu es mort sans auoir auancé / Que le seul tiers de l'œuure commencé"); saltério de 1563
Louis Bourgeois, cantor de Genebra, compôs e revisou melodias R. C., 14/7/1545 (nomeado cantor de São Pedro) e 13/1/1551 ("pour le meilleurement du chant des pseaumes"), em Pidoux II, p. 171–172
Acusado de mudá-las sem licença, foi preso; Calvino afirmou que o Conselho consentira, e ele saiu no dia seguinte. Na tela: "Genebra, 3 e 4 de dezembro de 1551" R. C. 46, fol. 106 ("qui a changé le chant sans licence"; "par le consentement du conseil de céans") e fol. 109 ("pour ceste foy, moyennant les remonstrances"), em Pidoux II, p. 172: fonte única, marcada na tela
Em Paris, em 1558, alguns começaram a cantar salmos num prado público, e muitos se juntaram. Na tela: "Paris, Pré-aux-Clercs, maio de 1558 · rei Henrique II" Histoire ecclésiastique (1580), ed. Baum e Cunitz, t. I, p. 141 ("au pré aux Clercs, lieu public de l'Université"); a data, pela nota dos editores (carta de Macar, 22/5/1558, não aberta)
"Segundo a história atribuída a Beza, havia tal acordo e reverência que todos ficavam arrebatados, até os que não podiam cantar." Idem, p. 141–142 ("il y avoit un tel acord & telle révérence, que chascun des assistans en estoit ravi, voire ceux qui ne pouvoient chanter")
O rei Henrique II mandou proibir Idem, p. 142–143 ("le Roy manda que inhibition fust faite de plus chanter en telle assemblée")
Em outubro de 1561, o rei Carlos IX deu privilégio para imprimir os 150 salmos. Na tela: "Privilégio do Rei, Saint-Germain-en-Laye, 19 de outubro de 1561" Saltério de 1562, folha n7 ("Extrait du privilège du Roy"); Pidoux II, p. 122; Douen I, p. 565
Só os impressores associados de Genebra somaram mais de 27 mil exemplares com a data de 1562. Na tela: "27.400 exemplares, segundo P. Pidoux" Pidoux II, p. 129 (citando Chaix, 1954): fonte única. Não são "vendidos", e os "30 mil" são estimativa de Pidoux: ficam fora
Houve edições também em Lyon e Paris Douen I, p. 562–563; convenção de Paris, 26/2/1562 (Pidoux II, p. 129–130); folha de rosto de Lyon, Jean de Tournes, 1563 (galeria)
Hino: 1ª estrofe do Salmo 134 de Beza, "Or sus, seruiteurs du Seigneur", com a tradução literal nossa Saltério de 1562, folha n501 ("PSEAVME CXXXIIII. TH. DE BE."); saltério de 1563, imagem 0368; melodia em hinos/salmo-134.json, conferida em 1562, 1563 e no Book of Praise
Rodapé do hino: "melodia de 1551, provavelmente de Louis Bourgeois · em inglês, Old Hundredth" Pidoux I, p. XI ("datant de 1551, donc probablement de Bourgeois"); Book of Praise ("Genevan Psalter, 1551"); Wikipédia (en), "Old 100th" (o nome inglês, só a ponte)
Fecho: "Eis agora, celebrai a Jehovah, todos os servos de Jehovah, os que assistis na casa de Jehovah todas as noites. Alçai vossas mãos ao Santuário, e celebrai a Jehovah." (Salmo 134:1–2) A Biblia Sagrada, trad. Almeida (Londres, 1819), grafia atualizada; conferida com Nova York, 1848
Legenda: "que mesmo pelas casas e pelos campos isto nos seja um incentivo e como um órgão para louvar a Deus" Epístola, CO VI, col. 169–170 (acréscimo de 1543); saltério de 1562, n12–n13
Legenda: os doutores de Paris certificaram nada "contrário à nossa fé católica" nos salmos de Beza (16/10/1561) Pidoux II, p. 122; Douen I, p. 564
Legenda e carrossel: os direitos que Beza cedeu; parte das despesas para a bolsa dos pobres Registros, jan.–fev. 1562, em Pidoux II, p. 127–129 (7% das despesas de impressão)
Carrossel: 1539, Aulcuns pseaulmes et cantiques mys en chant, Estrasburgo Wursten; descrição do Commons (Psautier huguenot title 1539.jpg)
Carrossel: as melodias de Guillaume Franc, Bourgeois, "Maître Pierre" e anônimos Wursten (Franc, cantor de São Pedro); Pidoux (Bourgeois; o "Maître Pierre")
Carrossel: Pierre Davantès, o provável "Maître Pierre", morreu em 31/8/1561 Registro dos Mortos de Genebra, em Pidoux II; Wursten ("did not live to see the publication"). A autoria das melodias é "provável"
Carrossel: Douen contou 62 edições entre 1562 e 1565 Douen I, p. 562–563: fonte única, marcada
Carrossel (mito): "Old Hundredth é o Salmo 100 de Genebra" Saltérios de 1562 e 1563 e Book of Praise (a melodia é a do Salmo 134); o nome inglês vem do Salmo 100 de Kethe, no saltério anglo-genebrino de 1561 (Wikipédia, secundária)
Carrossel (mito): "Calvino compôs as melodias" Pidoux; Wursten. Calvino escreveu o prefácio e organizou

Ficaram de fora de propósito: os "5 a 6 mil" do Pré-aux-Clercs (é o que disseram ao rei), o rei de Navarra cantando e as prisões feitas pelo Guarda-Selos; os "30 mil" (estimativa de Pidoux) e os "10 mil" de Florimond de Rémond (não visto); os versos antipapais do prefácio de Beza e a crítica da missa em latim na Epístola; qualquer adjetivo para Carlos IX ou Henrique II; a saída de Bourgeois de Genebra em 1552–1553; Guillaume Franc e a edição de 1539 no vídeo (estão no carrossel); "Por pequeno que eu seja, quero louvar o meu Deus como posso" e "Vossos corpos estão presos, mas o espírito está livre" (Beza, no mesmo prefácio), por tempo.

Leituras

  • Les Pseaumes mis en rime francoise, par Clement Marot & Theodore de Beze (François Perrin, 1562; Genebra: Lucas de Mortières, 1563)
  • Calvini Opera, vol. VI (1867): a Epístola ao leitor
  • Histoire ecclésiastique (1580), ed. Baum e Cunitz, t. I (1883)
  • P. Pidoux, Le Psautier huguenot du XVIe siècle (1962): os registros de Genebra
  • O. Douen, Clément Marot et le Psautier huguenot (1878–1879)
  • A Biblia Sagrada, trad. J. F. de Almeida (Londres, 1819), Salmo 134

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