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Os Reformadores
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Episódio 17 · 1562 – 1702

O salmo das batalhas

“O salmo das batalhas”

Pont-de-Montvert, noite de 24 de julho de 1702. Algumas dezenas de homens entram na vila cantando. Segundo Jean Cavalier, era o Salmo 68. (Memoirs of the Wars of the Cevennes, 1726)

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O salmo

O Salmo 68 em francês é de Teodoro de Beza, no Saltério de Genebra de 1562: "Que Dieu se monstre seulement".

A melodia é mais antiga: veio de Estrasburgo (1525), onde Calvino a usara para o Salmo 36.

O argumento impresso no saltério diz que Davi quer "confessar que recebia de Deus todas as suas vitórias". O apelido "salmo das batalhas" é do historiador O. Douen, em 1878.

Sem santinho

O grupo que entrou no Pont-de-Montvert ia armado, segundo Antoine Court e o próprio Cavalier. O abade du Chaila foi morto naquela noite, e começou a guerra.

O número 68 vem só das memórias de Cavalier (1726). Ele estava na assembleia, mas não foi na marcha: "os meus amigos não me permitiram" (p. 35).

Em 1704, Cavalier fez acordo e saiu da guerra; a tropa dele o abandonou, Roland recusou as condições, e muitos camisards seguiram lutando.

Linha do tempo

  1. 1525Estrasburgo: a melodia
  2. 1539Calvino a usa para o Salmo 36
  3. 1562O Salmo 68 de Beza no Saltério de Genebra
  4. 20/10/1587Coutras: segundo d'Aubigné, canta-se o Salmo 118
  5. 1685Revogação do Edito de Nantes; o culto reformado proibido na França
  6. 23/7/1702Assembleia no monte do Bougès (segundo Court)
  7. 24/7/1702Pont-de-Montvert; começa a guerra dos camisards
  8. 1704Acordo de Cavalier com o marechal de Villars; muitos seguem lutando
O verso de Beza
“Que Deus somente se mostre, e de repente se verá abandonar o lugar o acampamento dos inimigos, disperso, e os que o odeiam, de todas as partes, fugir diante da sua face.”

“Que Dieu se monstre seulement, Et on verra soudainement Abandonner la place: Le camp des ennemis espars, Et ses haineux de toutes pars Fuir deuant sa face.”

Teodoro de Beza, Salmo 68, 1ª estrofe, linhas 1–6, saltério de 1562 · tradução literal nossa
O canto e o eco
“…começávamos a cantar um salmo e descíamos cantando as colinas, de modo que o nosso canto, repetido e multiplicado pelo eco vizinho, fazia o inimigo crer que éramos mais numerosos do que realmente éramos…”

“…we began to sing a Psalm, and came Singing down the Hills, insomuch, that our Singing being repeated and multiplied by the Neighbouring Ecchoe made the Enemy believe we were more numerous than really we were…”

Jean Cavalier, Memoirs of the Wars of the Cevennes, Londres, 1726, p. 120 · trecho, tradução literal nossa

Cavalier não diz qual salmo.

Mito e fato

MitoEm Coutras (1587), cantaram o Salmo 68.

FatoSegundo d'Aubigné, que estava lá, cantou-se o Salmo 118.

MitoOs soldados do rei fugiam ao ouvir o salmo.

FatoFrase de Douen (1878), sem fonte. Cavalier fala só do eco.

O que se ouve no episódio

A narração completa, com as falas dos personagens. As falas são palavras registradas, com a fonte na lista abaixo.

NarradorPont-de-Montvert, nas Cevenas, noite de 24 de julho de 1702. Algumas dezenas de homens entram na vila cantando. Segundo Jean Cavalier, era o Salmo 68. Os versos eram de Teodoro de Beza, no Saltério de Genebra de 1562:

BezaBasta que Deus se mostre, e de repente se verá o acampamento dos inimigos, disperso, abandonar o lugar.

NarradorA melodia era mais antiga: vinha de Estrasburgo, onde Calvino a usara para o Salmo 36. No século 19, o historiador Douen o chamou de salmo das batalhas. Mas, na batalha de Coutras, em 1587, segundo Agrippa d'Aubigné, que estava lá, cantou-se o Salmo 118. Em 1685, o rei revogou o Edito de Nantes, e o culto reformado foi proibido na França. Nas Cevenas, o povo se reunia escondido nos montes. Numa dessas reuniões, em julho de 1702, pediram socorro para presos do abade du Chaila: protestantes pegos tentando sair do reino. Na noite seguinte, um grupo armado entrou cantando no Pont-de-Montvert. O abade foi morto, e começou a guerra dos camisards. Cavalier não estava no Pont-de-Montvert; depois, comandou tropas camisards. Escreveu sobre os combates: começávamos a cantar um salmo e descíamos cantando as colinas; o nosso canto, multiplicado pelo eco, fazia o inimigo crer que éramos mais numerosos do que éramos. Em 1704, Cavalier fez acordo com o marechal de Villars; muitos camisards seguiram lutando. O salmo continuou no saltério das igrejas: oração, antes de ser canto de guerra.

Galeria

O número do salmo no Pont-de-Montvert vem só de Cavalier, que não estava lá. Traduções literais nossas.

Salmo 1, Psaumes de David, Genebra, Jean de Laon, 1562 · Domínio público.
Anônimo, Teodoro de Beza, 1577 · Bibliothèque de Genève · CC0.
Jean Cavalier, Memoirs of the Wars of the Cevennes, Londres, 1726 · Duke University · Domínio público.
Jules Salles, Encontro de Cavalier e Villars, c. 1865 (cena imaginada) · Musée des Beaux-Arts de Nîmes · Domínio público.

Para salvar

O resumo do episódio em oito cartões. Deslize para o lado.

Cartão 1 do resumo de O salmo das batalhasCartão 2 do resumo de O salmo das batalhasCartão 3 do resumo de O salmo das batalhasCartão 4 do resumo de O salmo das batalhasCartão 5 do resumo de O salmo das batalhasCartão 6 do resumo de O salmo das batalhasCartão 7 do resumo de O salmo das batalhasCartão 8 do resumo de O salmo das batalhas

Fontes de cada afirmação

Afirmações e fontes

Narração Fonte
Pont-de-Montvert, noite de 24/7/1702: algumas dezenas de homens entram na vila cantando Court, Histoire des troubles des Cévennes (1819), t. I, p. 36–37 ("autour de quarante à cinquante hommes… le chant d'un psaume"); Cavalier, Memoirs (1726), p. 35 ("Entering the Place they began to sing")
Segundo Jean Cavalier, era o Salmo 68 Cavalier, p. 35 ("the 68th Psalm"). Fonte única; ele não estava na marcha (p. 35: "my Friends would not permit me")
Os versos eram de Beza, no Saltério de Genebra de 1562 Les Pseaumes mis en rime francoise (Perrin, 1562), IA BSG_8A817_2INV992RES_P1, _0247 ("PSEAVME LXVIII. TH. DE BE."); Douen I, p. 10, n. 1
BEZA: "Basta que Deus se mostre, e de repente se verá o acampamento dos inimigos, disperso, abandonar o lugar." 1562, _0247: "Que Dieu se mõstre seulemēt, Et on verra soudainement Abandõner la place: Le camp des ennemis espars"
A melodia vinha de Estrasburgo, onde Calvino a usara para o Salmo 36 Douen I, p. 657–658; Pidoux, Le Psautier huguenot I (Ps. 36, Ps. 68)
No séc. XIX, o historiador Douen o chamou de "salmo das batalhas" Douen I, p. 657 ("le psaume des batailles")
Coutras, 20/10/1587: segundo d'Aubigné, que estava lá, cantou-se o Salmo 118 d'Aubigné, Histoire universelle, ed. de Ruble, t. VII, p. 147 ("du Psaume 118: « La voici, l'heureuse journée »"), nota 4 do editor ("D'Aubigné lui-même")
1685: o rei revogou o Edito de Nantes; nas Cevenas, o povo se reunia escondido nos montes Benoist, Histoire de l'Edit de Nantes I; Cavalier, p. 34 e 120; Court I, p. 35
Numa dessas reuniões (monte do Bougès, domingo, 23/7/1702), pediram socorro para presos do abade du Chaila: protestantes pegos tentando sair do reino Court I, p. 34–36 (o lugar e a data são só de Court); Cavalier, p. 34 ("in a Wood call'd the Wood of Fourque", sem data)
Na noite seguinte, um grupo armado entrou cantando; o abade foi morto, e começou a guerra dos camisards Court I, p. 36–37 ("armés…"); Cavalier, p. 35; Brueys, Histoire du fanatisme (1755), t. I, liv. V ("une guerre ouverte")
Cavalier não estava no Pont-de-Montvert; depois comandou tropas camisards Cavalier, p. 35 e folha de rosto
"…começávamos a cantar um salmo e descíamos cantando as colinas; o nosso canto, multiplicado pelo eco, fazia o inimigo crer que éramos mais numerosos do que éramos." Cavalier, p. 120 ("…we began to sing a Psalm, and came Singing down the Hills… made the Enemy believe we were more numerous than really we were"); trecho, sem "and struck them with Terrour". Cavalier não diz qual salmo
1704: Cavalier fez acordo com o marechal de Villars; muitos camisards seguiram lutando Court II, liv. XI–XII (a tropa "abandonne Calvisson"; Roland "refuse" as condições; o texto do acordo é contestado por Court e não é citado)
O salmo continuou no saltério das igrejas: oração, antes de ser canto de guerra Argumento do Sl 68 no saltério de 1562 ("Dauid voulant confesser qu'il tenoit de Dieu toutes ses victoires…"); Hymnes et Louanges nº 7 (secundária)
Hino: Salmo 68 de Beza, 1ª estrofe, linhas 1–6, na melodia do Salmo 36 (Estrasburgo, 1525), na forma de 1562 1562, _0247; 1563 (Mortières), imagem 0189; Book of Praise (Genevan 68), só para conferir as alturas; hinos/salmo-68.json (67 tempos, 30,5 s a 132 bpm)
Legenda: a 2ª metade da estrofe ("Deus fará todos fugirem…") 1562, _0247–_0248 ("Dieu les fera tous s'enfuir, Ainsi qu'on voit s'esuanouir Vn amas de fumee…")
Legenda: Salmo 68:4 A Biblia Sagrada, trad. Almeida (Londres, 1819), Sl 68:4 ("Porem os justos se alegrarão…"); grafia atualizada

Leituras

  • Les Pseaumes mis en rime francoise, par Clement Marot & Theodore de Beze (François Perrin, 1562)
  • Jean Cavalier, Memoirs of the Wars of the Cevennes (Londres, 1726), p. 34–36 e 119–120
  • Antoine Court, Histoire des troubles des Cévennes (ed. de 1819), t. I–II
  • Agrippa d'Aubigné, Histoire universelle, ed. de Ruble, t. VII (1886), p. 147–148
  • O. Douen, Clément Marot et le Psautier huguenot, t. I (1878); P. Pidoux, Le Psautier huguenot (1962)
  • A Biblia Sagrada, trad. J. F. de Almeida (Londres, 1819), Sl 68:4

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