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Os Reformadores
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Episódio 8 · c. 1537 – 1554

Lady Jane Grey

“Uma carta num Novo Testamento”

"…embora não seja enfeitado por fora com ouro, por dentro vale mais do que pedras preciosas." (Jane Grey à irmã, 1554)

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Quem era

Sobrinha-neta de Henrique VIII: filha de Henry Grey, depois duque de Suffolk, e de Frances Brandon. Nasceu por volta de 1537.

Em 1550, Roger Ascham a encontrou lendo Platão em grego enquanto a família caçava.

Morreu com 16 ou 17 anos. Não existe retrato autêntico dela.

Linha do tempo

  1. 1550Ascham a encontra lendo Platão em grego, em Bradgate
  2. 10/7/1553Proclamada rainha em Londres, por disposição de Eduardo VI, no lugar de Maria Tudor
  3. 19/7/1553Londres proclama Maria
  4. 13/11/1553Condenada por traição no Guildhall
  5. fev. 1554Depois de uma revolta de que o pai participou, a execução é marcada
  6. 12/2/1554Morre no cadafalso, dentro da Torre de Londres
A Feckenham
“Não, eu fundamento a minha fé na palavra de Deus, e não na Igreja… a fé da Igreja deve ser provada pela palavra de Deus, e não a palavra de Deus pela Igreja.”

“No, I ground my faith vpon gods word, & not vpō the church… the faith of the churche muste be tried by gods word, & not gods word by the church.”

Jane Grey, conversa com Feckenham, escrita por ela (impresso de 1554; Foxe)
O livro
“Ele te ensinará a viver e te ensinará a morrer… E quanto à minha morte, alegra-te como eu, boa irmã, de que serei livre desta corrupção e me revestirei de incorrupção.”

“It will teache you to liue and learne you to dye… And as touching my death, reioice as I do (good sister) that I shalbe deliuered of this corruption, and put on vncorruption.”

Jane Grey, carta à irmã Katherine, no fim de um Novo Testamento em grego (impresso de 1554; Foxe)
No cadafalso
“Peço a todos vós, bom povo cristão, que me sejais testemunhas de que morro como verdadeira cristã, e de que não espero ser salva por nenhum outro meio senão só pela misericórdia de Deus, no sangue do seu único Filho, Jesus Cristo.”

“…I do loke to be saued by no other meane, but only by the mercye of god in the bloude of hys only sonne Iesus Christe.”

Jane Grey, no cadafalso, segundo The Ende of the Lady Jane Dudley (1554) e Foxe (1563)

Mito e fato

MitoA carta foi escrita em grego.

FatoA carta é em inglês. Grego era o livro: o Novo Testamento em cujas folhas do fim ela escreveu.

MitoFoi de vestido branco, numa sala escura (o quadro de Delaroche, 1833).

FatoFoi no mesmo vestido do julgamento, preto, a um cadafalso no gramado dentro da Torre, "em frente à Torre Branca" (Chronicle of Queen Jane).

O que se ouve no episódio

A narração completa, com as falas dos personagens. As falas são palavras registradas, com a fonte na lista abaixo.

NarradorTorre de Londres, fevereiro de 1554. Na véspera da execução, uma jovem escreve no fim de um Novo Testamento em grego:

Jane GreyEnvio-te aqui, boa irmã Katherine, um livro que, embora não seja enfeitado por fora com ouro, por dentro vale mais do que pedras preciosas.

NarradorEra Lady Jane Grey, sobrinha-neta de Henrique VIII. Anos antes, o erudito Roger Ascham a encontrou lendo Platão em grego, enquanto a família caçava. Segundo Ascham, ela disse:

Jane GreyTodo o divertimento deles no parque não passa de uma sombra do prazer que eu encontro em Platão.

NarradorEm julho de 1553, morto o rei Eduardo VI, ela foi proclamada rainha, por disposição dele, no lugar da meia-irmã dele, Maria Tudor. Nove dias depois, Londres proclamou Maria. Presa, Jane foi condenada por traição. Em fevereiro, depois de uma revolta de que o pai dela participou, a execução foi marcada. Dias antes, a rainha lhe mandou o padre John Feckenham, para trazê-la à fé católica. Ela mesma escreveu a conversa. Ele lhe disse que ela devia dar crédito à Igreja. Ela respondeu:

Jane GreyNão, eu fundamento a minha fé na palavra de Deus, e não na Igreja… a fé da Igreja deve ser provada pela palavra de Deus, e não a palavra de Deus pela Igreja.

NarradorAo sair, Feckenham disse que sentia muito por ela. Sobre o livro, ela escreveu ainda:

Jane GreyEle te ensinará a viver e te ensinará a morrer… E quanto à minha morte, alegra-te como eu, boa irmã, de que serei livre desta corrupção e me revestirei de incorrupção.

NarradorEm 12 de fevereiro, subiu ao cadafalso, dentro da Torre, com um livro na mão. Disse ao povo:

Jane GreyPeço a todos vós, bom povo cristão, que me sejais testemunhas de que morro como verdadeira cristã, e de que não espero ser salva por nenhum outro meio senão só pela misericórdia de Deus, no sangue do seu único Filho, Jesus Cristo.

NarradorPerguntou a Feckenham se devia dizer o salmo; ele disse que sim. Rezou o Salmo 51. As últimas palavras foram:

Jane GreySenhor, nas tuas mãos encomendo o meu espírito.

NarradorTinha 16 ou 17 anos.

Galeria

A cena de Bradgate vem só de Roger Ascham, escrita 20 anos depois. As traduções do inglês antigo são literais e nossas.

Lady Katherine Grey, a irmã da carta. Miniatura atribuída a Levina Teerlinc, c. 1555–1560 · Victoria and Albert Museum · Domínio público.
O Novo Testamento grego de Erasmo, Basileia, 1516 (não é o livro de Jane) · Domínio público.
A Torre de Londres, c. 1500. British Library, Royal MS 16 F II, f. 73 · CC0.
Livro de orações tradicionalmente identificado como o que ela levou ao cadafalso. British Library, Harley MS 2342 · Domínio público.
Folha de rosto de Actes and Monuments, de John Foxe. 1563 · Domínio público.

Para salvar

O resumo do episódio em oito cartões. Deslize para o lado.

Cartão 1 do resumo de Lady Jane GreyCartão 2 do resumo de Lady Jane GreyCartão 3 do resumo de Lady Jane GreyCartão 4 do resumo de Lady Jane GreyCartão 5 do resumo de Lady Jane GreyCartão 6 do resumo de Lady Jane GreyCartão 7 do resumo de Lady Jane GreyCartão 8 do resumo de Lady Jane Grey

Fontes de cada afirmação

Afirmações e fontes

Narração Fonte
Na véspera da execução (11/2/1554), na Torre, escreve no fim de um Novo Testamento em grego; a carta é em inglês Impresso de 1554 (A20904, "the night before she suffered"); Foxe 1583; Foxe 1563 ("immediatly before she suffered"); Chronicle, p. 55 (a casa de Partridge)
"Envio-te aqui, boa irmã Katherine, um livro que… vale mais do que pedras preciosas" Impresso de 1554 (A20904); Foxe 1563, p. 986
Sobrinha-neta de Henrique VIII Chronicle, apêndice (o "Devise" de Eduardo VI); mãe, Frances Brandon, filha de Maria Tudor, irmã de Henrique VIII
Bradgate, 1550: lendo Platão em grego enquanto a família caçava; "Todo o divertimento deles no parque…" Ascham, The Scholemaster (1570), livro I, fonte única; o ano vem da partida de Ascham para a Alemanha
Julho de 1553: proclamada rainha, por disposição de Eduardo VI, no lugar de Maria Tudor Machyn, p. 35–36 (10/7/1553); o "Devise" (Chronicle, apêndice)
Nove dias depois, Londres proclamou Maria Registro de St Margaret's, Westminster (Chronicle, apêndice: 19/7/1553)
Condenada por traição Chronicle, p. 32 (Guildhall, 13/11/1553); Machyn
A revolta de que o pai participou; a execução marcada em fevereiro Chronicle, p. 53–55 (Suffolk preso na Torre em 10/2/1554; execução adiada de 9 para 12/2, "por que causa não se sabe")
Dias antes, a rainha lhe mandou John Feckenham, para trazê-la à fé católica Foxe 1563, p. 985 ("2 dias antes"); impresso de 1554 ("4 dias antes")
Ela mesma escreveu a conversa Impresso de 1554 ("her own hand being put therto", assinada "Be me Iane Dudley")
"Ele lhe disse que ela devia dar crédito à Igreja"; "Não, eu fundamento a minha fé na palavra de Deus…" Impresso de 1554 (A20904); Foxe 1563, p. 986; Foxe 1583
Ao sair, Feckenham disse que sentia muito por ela Impresso de 1554 (A20904); Foxe 1563, p. 986
"Ele te ensinará a viver e te ensinará a morrer… de que serei livre desta corrupção e me revestirei de incorrupção" Impresso de 1554 (A20904); Foxe 1563, p. 986–987
12/2/1554: o cadafalso dentro da Torre, com um livro na mão; o vestido preto do julgamento; sem lágrimas; as damas choram Chronicle, p. 55–56 (o Diarista: "upon the grene over agaynst the White tower")
"Peço a todos vós, bom povo cristão…" The Ende of the Lady Jane Dudley (1554), em Chronicle, p. 57; Foxe 1563, p. 987 (texto seguido: "no sangue")
Perguntou a Feckenham se devia dizer o salmo; ele disse que sim; o Salmo 51 (Miserere mei Deus), em inglês The Ende (p. 57); Foxe 1563, p. 987; impresso de 1554
"Senhor, nas tuas mãos encomendo o meu espírito" The Ende (p. 58); Foxe 1563, p. 987 (variante no impresso de 1554: "Lorde saue my soule, whyche now I commend into thy handes")
Tinha 16 ou 17 anos Nascimento incerto (c. 1537): dossiê §1
Legenda: o ato contra a rainha, e o consentimento dela a ele, ilegais; nunca o procurou nem desejou The Ende (p. 56); Foxe 1563, p. 987 (variante no impresso de 1554)
Legenda: 1 Coríntios 15:53, eco da carta, não citação dela Almeida, Londres, 1819, e Nova York, 1848 (grafia atualizada)

Leituras

  • An epistle of the Ladye Iane… (1554), com a conversa com Feckenham e a carta à irmã (EEBO-TCP A20904)
  • The Ende of the Lady Jane Dudley (1554), em The Chronicle of Queen Jane, ed. J. G. Nichols (Camden Society, 1850)
  • John Foxe, Actes and Monuments (1563 e 1583)
  • The Diary of Henry Machyn (Camden Society, 1848)
  • Roger Ascham, The Scholemaster (1570)

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