Quando contemplo a cruz
“Quando contemplo a cruz”
Inglaterra, por volta de 1700. Na capela, um homem lê uma linha do salmo, e o povo a repete, devagar. (Isaac Watts, prefácio de Hymns and Spiritual Songs, Londres, 1707)
Quem foi
Isaac Watts nasceu em Southampton em 17 de julho de 1674. O pai, dissidente, foi preso por não-conformidade. Recusou a universidade (que exigiria a Igreja da Inglaterra) e estudou na academia dissidente de Thomas Rowe, em Stoke Newington.
Em 1702 tornou-se pastor da congregação independente de Mark Lane, em Londres. De saúde frágil, era baixo e magro: "talvez não mais de cinco pés", segundo Thomas Gibbons (1780).
Em 1707 publicou Hymns and Spiritual Songs. Morreu em Stoke Newington em 25 de novembro de 1748 e foi enterrado em Bunhill Fields.
As outras estrofes
"Não permitas, Senhor, que eu me glorie, senão na morte de Cristo, meu Deus; todas as coisas vãs que mais me encantam, eu as sacrifico ao seu sangue."
"Vê: da sua cabeça, das mãos, dos pés, a dor e o amor descem misturados; alguma vez se encontraram tal amor e tal dor? Ou espinhos compuseram coroa tão rica?"
"O seu carmesim de morte, como um manto, se espalha sobre o seu corpo no madeiro; então estou morto para o mundo inteiro, e o mundo inteiro está morto para mim." Desde 1709, entre colchetes: pode ser omitida. (Isaac Watts, 1707, estrofes 2 a 4, tradução literal nossa.)
Linha do tempo
- 1674Nasce em Southampton (17/7); o pai é preso por não-conformidade
- 1690–1694Academia dissidente de Thomas Rowe, Stoke Newington
- c. 1695Segundo a tradição (Gibbons, 1780), os primeiros hinos para a capela de Southampton
- 1702Pastor da congregação independente de Mark Lane, Londres (18/3)
- 1707Hymns and Spiritual Songs; no livro III, "When I survey the wondrous Cross"
- 17092ª edição: ele mesmo tira "young" do 2º verso do hino
- 1719–1720The Psalms of David Imitated (1719); Hymns and Spiritual Songs na 7ª edição (1720)
- 1748Morre em Stoke Newington (25/11); enterrado em Bunhill Fields
“Ver a indiferença apática, o ar negligente e distraído que pousa no rosto de uma assembleia inteira enquanto o salmo está em seus lábios poderia tentar até um observador caridoso a suspeitar do fervor da religião interior…”
“To see the dull Indifference, the negligent and the thoughtless Air that sits upon the Faces of a whole Assembly while the Psalm is on their Lips, might tempt even a charitable Observer to suspect the Fervency of inward Religion…”
E na p. vi: "Longe esteja dos meus pensamentos deixar de lado os Salmos de Davi no culto público." A causa principal, para ele, estava nas palavras ("the Matter and Words", p. iv).
“Quando contemplo a cruz maravilhosa onde o jovem Príncipe da Glória morreu, meu mais rico ganho não conto senão como perda, e derramo desprezo sobre todo o meu orgulho.”
“When I survey the wondrous Cross / Where the young Prince of Glory dy'd, / My richest Gain I count but Loss, / And pour Contempt on all my Pride.”
Título do hino: "Crucifixion to the World by the Cross of Christ; Gal. 6. 14." Em 1709, o 2º verso virou "On which the Prince of Glory dy'd".
Mito e fato
MitoO pai disse: "Faça melhor, rapaz."
FatoA fonte mais antiga (Thomas Gibbons, 1780, de terceira mão) diz que o pai o mandou "tentar consertar aquilo". É tradição, não registro de época.
MitoWatts inventou o hino em inglês.
FatoAntes dele houve Barton, Mason e Keach; batistas e independentes já cantavam hinos. Foram os hinos dele que as congregações dissidentes tomaram para si.
MitoROCKINGHAM é a melodia original.
FatoNão é a de 1707. ROCKINGHAM está na forma de Edward Miller (1790) e só se uniu a este texto no séc. XIX; HAMBURG, a melodia americana, é de Lowell Mason (impressa em 1825).
O que se ouve no episódio
A narração completa, com as falas dos personagens. As falas são palavras registradas, com a fonte na lista abaixo.
NarradorInglaterra, por volta de 1700. Na capela, um homem lê uma linha do salmo, e o povo a repete, devagar. Um pastor de Londres escreveria:
Isaac WattsDe todas as nossas solenidades religiosas, o canto dos salmos é a mais infelizmente conduzida.
NarradorIsaac Watts nasceu em Southampton, em 1674. O pai, dissidente, foi preso por não se conformar à Igreja oficial. Conta-se que, por volta dos 20 anos, Isaac reclamou dos hinos da capela, e o pai o mandou tentar consertar aquilo. Ele tentou; pediram um segundo hino, e um terceiro. É tradição: o primeiro registro é de 1780, contado de terceira mão. Mas ele não queria calar os salmos:
Isaac WattsLonge esteja dos meus pensamentos deixar de lado os Salmos de Davi no culto público.
NarradorO problema, dizia, eram as palavras: queria que, ao lado deles, a igreja cantasse hinos do Evangelho. Em 1707, publicou Hinos e Cânticos Espirituais. Na parte preparada para a Ceia do Senhor, um hino sobre Gálatas seis, 14:
Isaac WattsQuando contemplo a cruz maravilhosa onde o jovem Príncipe da Glória morreu, meu mais rico ganho conto como perda, e derramo desprezo sobre todo o meu orgulho.
NarradorDois anos depois, ele mesmo tirou a palavra jovem. Em 1720, o livro já estava na sétima edição. Watts não inventou o hino em inglês; antes dele houve outros. Mas foram os hinos dele que as congregações dissidentes tomaram para si. Morreu em 1748. O hino que escreveu para a mesa da Ceia ainda se canta diante da cruz.
Galeria
A anedota do pai é tradição (Gibbons, 1780, de John Morgan, que a ouviu de Samuel Price). Traduções literais nossas.
Autor desconhecido, Isaac Watts, retrato a óleo, National Portrait Gallery, Londres · Domínio público. O Commons avisa que a NPG reivindicou direitos sobre a fotografia (Reino Unido); a reserva é a mesma gravura de R. Newton na cópia da NYPL (`File:Isaac Watts, D.D (NYPL Hades-265549-478676).jpg`, 3104 × 4068, domínio público).
R. Newton, segundo desenho de John Thurston, Isaac Watts, gravura, 1822 (KU Leuven) · Domínio público. A legenda impressa diz "From a Picture by Gainsborough", o que não confere com as datas: Gainsborough fica fora do crédito.
The Whole Booke of Psalmes (Sternhold e Hopkins), folha de rosto, Londres, John Day, 1583, British Museum · Domínio público.
Dr. I. Watts, água-forte, séc. XVIII (KU Leuven) · Domínio público.
O túmulo de Isaac Watts em Bunhill Fields, estereofotografia de G. R. & Co., c. 1850–1875, Rijksmuseum · Domínio público (CC0); só a metade esquerda.
Para salvar
O resumo do episódio em oito cartões. Deslize para o lado.







Fontes de cada afirmação
Afirmações e fontes
| Narração | Fonte |
|---|---|
| Inglaterra, por volta de mil e setecentos. Na capela, um homem lê uma linha do salmo, e o povo a repete, devagar. Na tela: "Inglaterra · c. 1700" e "o clerk lia cada linha, e o povo a repetia" | Prefácio de 1707, p. v (imagem): "the very next Line perhaps which the Clerk parcels out unto us"; p. iii (imagem): a "indiferença apática" no rosto da assembleia; DNB: "the habit of giving out the verses one by one, or even line by line" |
| Um pastor de Londres escreveria: | Pastor da congregação independente de Mark Lane desde 18/3/1702 (DNB; Milner 1834) |
| WATTS: "De todas as nossas solenidades religiosas, o canto dos salmos é a mais infelizmente conduzida." Na tela: "Isaac Watts, prefácio de Hymns and Spiritual Songs, Londres, 1707, p. iv · tradução literal nossa" | 1707, p. iv (imagem): "But of all our Religious Solemnities Psalmodie is the most unhappily manag'd." (sem o "But") |
| Isaac Watts nasceu em Southampton, em mil seiscentos e setenta e quatro. Na tela: "Isaac Watts (1674–1748)" e "Southampton, 17 de julho de 1674" | Gibbons 1780, p. 1 (imagem): "born at Southampton, July 17, 1674"; DNB; Julian. Morte: Gibbons, epitáfio, p. 329 (OCR), "Nov. 25, 1748"; DNB |
| O pai, dissidente, foi preso por não se conformar à Igreja oficial. Na tela: "o pai: preso por não-conformidade" | Gibbons 1780, p. 1, nota (imagem): "imprisoned more than once for his non-conformity"; DNB (1674–1675); Julian ("twice suffered imprisonment"). As datas exatas divergem (DNB × Milner): no vídeo, só "foi preso" |
| Conta-se que, por volta dos vinte anos, Isaac reclamou dos hinos da capela, e o pai o mandou tentar consertar aquilo. Ele tentou; pediram um segundo hino, e um terceiro. É tradição: o primeiro registro é de mil setecentos e oitenta, contado de terceira mão. Na tela: "Southampton, c. 1695 · segundo a tradição" e "Thomas Gibbons, Memoirs of the Rev. Isaac Watts, 1780, p. 254 · relato de John Morgan, que o ouviu de Samuel Price" | Gibbons 1780, p. 254 (imagem): "The father bid him try what he could do to mend the matter. He did, and had such success in his first essay, that a second hymn was earnestly desired of him, and then a third, and fourth, &c." Gibbons a recebeu de John Morgan, que a ouviu de Samuel Price "above fifty years ago". Não está no sermão fúnebre de Jennings (1749, OCR). Os anos de 1695 e 1696 em Southampton: Gibbons; DNB |
| Mas ele não queria calar os salmos: WATTS: "Longe esteja dos meus pensamentos deixar de lado os Salmos de Davi no culto público." Na tela: "Isaac Watts, prefácio de 1707, p. vi · tradução literal nossa" | 1707, p. vi (imagem): "Far be it from my Thoughts to lay aside the Psalms of David in public Worship" |
| O problema, dizia, eram as palavras: queria que, ao lado deles, a igreja cantasse hinos do Evangelho. Na tela: "hinos evangélicos no culto, assim como os Salmos de Davi" (folha de rosto, 1707) | 1707, p. iv (imagem): "one great Occasion of this Evil arises from the Matter and Words"; folha de rosto (imagem): "…by the Use of Evangelical Hymns in Worship, as well as the Psalms of David" |
| Em mil setecentos e sete, publicou Hinos e Cânticos Espirituais. Na tela: "Hymns and Spiritual Songs", "Hinos e Cânticos Espirituais", "1707" | Folha de rosto de 1707 (imagem): Londres, J. Humfreys para John Lawrence, 1707. O mês (julho) só pelos memorandos de Watts, via Milner 1834: não vai à tela |
| Na parte preparada para a Ceia do Senhor, um hino sobre Gálatas seis, catorze. Na tela: "Livro III, 'preparado para a Ceia do Senhor', nº 7" e "Crucifixion to the World by the Cross of Christ; Gal. 6. 14." | 1707, p. 188–189 (imagens): livro III, "Prepared for the Lord's Supper", nº VII, com esse título. Não é um hino "para a Sexta-feira Santa" |
| WATTS: "Quando contemplo a cruz maravilhosa onde o jovem Príncipe da Glória morreu, meu mais rico ganho conto como perda, e derramo desprezo sobre todo o meu orgulho." Na tela: "Isaac Watts, 1707 · tradução literal nossa" | 1707, p. 189 (imagem): "When I survey the wondrous Cross / Where the young Prince of Glory dy'd, / My richest Gain I count but Loss, / And pour Contempt on all my Pride." |
| Dois anos depois, ele mesmo tirou a palavra jovem. Na tela: "1707: Where the young Prince of Glory dy'd" e "2ª edição, 1709: On which the Prince of Glory dy'd" | 2ª edição, 1709, folha de rosto (imagem: "The Second Edition, Corrected and much Enlarged") e p. 289 (imagem); Gibbons 1780, p. 255–256 (OCR): as "Advertisements" de Watts, abril de 1709; Hymnology Archive. Julian (1892) dá "On which" já para 1707: erro de Julian |
| Em mil setecentos e vinte, o livro já estava na sétima edição. Na tela: "7ª edição, Londres, 1720" | Folha de rosto de 1720 (imagem): "The Seventh Edition", Londres, J. H. para R. Ford |
| Watts não inventou o hino em inglês; antes dele houve outros. | DNB: "the obscure hymns of Mason, Keach, Barton, and others; and hymns were freely used in the baptist and independent congregations"; Gibbons p. 254: já se cantavam hinos na capela de Southampton |
| Mas foram os hinos dele que as congregações dissidentes tomaram para si. | DNB: "The poetry of Watts took the religious world of dissent by storm"; sete edições em treze anos (1707–1720, folhas de rosto) |
| Morreu em mil setecentos e quarenta e oito. Na tela: "Stoke Newington, 25 de novembro de 1748" | Gibbons, epitáfio, p. 329 (OCR): "died, Nov. 25, 1748, in the 75th year of his age"; DNB (Stoke Newington; Bunhill Fields) |
| O hino que escreveu para a mesa da Ceia ainda se canta diante da cruz. | Livro III, "Prepared for the Lord's Supper" (1707); uso atual: Hymnology Archive |
| O hino na tela: as 4 linhas da 1ª estrofe, em inglês de 1707, com a tradução literal; melodia ROCKINGHAM. Rodapé: "Isaac Watts, 1707 · melodia ROCKINGHAM, na forma de Edward Miller, 1790, unida a este texto no séc. XIX (não é a de 1707) · trad. literal nossa" | Texto: 1707, p. 189 (imagem). Melodia: Miller, The Psalms of David, Londres, 1790, p. 32 ("Rockingham L. M. Part of the Melody taken from a Hymn"), nota a nota, conferida com Hymns Ancient and Modern (1861), nº 101 (hinos/rockingham.json; arranjo e harmonização nossos). União ao texto em 1855 (Mercer) e popularização por A&M 1861: Hymnology Archive |
| Fecho na tela: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão em a cruz de nosso Senhor Jesu Cristo, pelo qual o mundo me é crucificado a mim, e eu ao mundo." · "Gálatas 6:14 (Almeida, 1819) · o versículo que Watts pôs no título do hino" | A Biblia Sagrada, trad. Almeida (Londres, 1819), NT p. 206 (imagem): "Mas longe esteja de my gloriarme, senaõ em a cruz de nosso Senhor Jesu Christo, pelo qual o mundo me he crucificado a my, e eu a o mundo."; Nova York, 1848 (OCR), mesmas palavras; grafia atualizada |
| Legenda: a 5ª estrofe, "Se todo o reino da natureza fosse meu, seria um presente pequeno demais; um amor tão espantoso, tão divino, exige a minha alma, a minha vida, o meu tudo." | 1707, p. 189 (imagem): "Were the whole Realm of Nature mine, / That were a Present far too small; / Love so amazing, so divine / Demands my Soul, my Life, my All." |
| Carrossel: a aparência de Watts ("beneath the common standard, perhaps not above five feet", "spare and lean", "fair and pale") | Gibbons 1780, p. 322 (OCR do IA bim_eighteenth-century_memoirs-of-the-rev-isaa_gibbons-thomas_1780); guiou também o boneco (baixo e magro) e o casting da voz ("rather too fine and slender… regular, audible, and pleasant") |
| Carrossel: as estrofes 2 a 4; a 4ª entre colchetes desde 1709; o prefácio, p. iii; a academia de Thomas Rowe; HAMBURG (Lowell Mason, impressa em 1825) | 1707, p. 189 e 1709, p. 289 (imagens); prefácio p. iii (imagem); DNB; Julian; Hymnology Archive |
Leituras
- I. Watts, Hymns and Spiritual Songs (Londres, 1707; 2ª ed., 1709; 7ª ed., 1720), prefácio e livro III, nº VII
- T. Gibbons, Memoirs of the Rev. Isaac Watts, D.D. (Londres, 1780), p. 1, 254 e 322
- E. Miller, The Psalms of David for the Use of Parish Churches (Londres, 1790), p. 32; Hymns Ancient and Modern (Londres, 1861), nº 101
- H. L. Bennett, "Watts, Isaac", Dictionary of National Biography 60 (1899); J. Julian, A Dictionary of Hymnology (1892); T. Milner (1834)
- D. W. Music, "When I survey the wondrous cross", Hymnology Archive (2019, rev. 2020)
- A Biblia Sagrada, trad. J. F. de Almeida (Londres, 1819), Gl 6:14
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