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Os Reformadores
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Episódio 5 · c. 1521 – 1546

Anne Askew

“A balada de Newgate”

Ela foi ao ecúleo e escreveu: "fiquei quieta e não gritei."

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Quem era

Filha de Sir William Askew, um cavaleiro de Lincolnshire, Inglaterra. Tinha uns 25 anos em 1546, segundo John Bale.

Lia a Bíblia na catedral de Lincoln e foi interrogada duas vezes por causa da sua fé.

Contou tudo por escrito. John Bale publicou os relatos em 1546 e 1547.

Linha do tempo

  1. março de 1545Primeiro interrogatório, em Londres
  2. junho de 1545Absolvida por um júri
  3. junho de 1546Diante do Conselho do rei, em Greenwich
  4. junho de 1546Condenada no Guildhall, sem júri, por confissão
  5. junho de 1546O ecúleo, na Torre de Londres
  6. 16/7/1546Morre em Smithfield com outros três condenados
Sobre São Paulo
“Respondi que conhecia o sentido de Paulo tão bem quanto ele: que a mulher não deve falar na congregação como quem ensina. Então lhe perguntei quantas mulheres ele tinha visto subir ao púlpito e pregar. Ele disse que nunca vira nenhuma.”
Anne Askew, Examinations (ed. Bale, 1546)
A resposta
“Mandei-lhe dizer de volta que preferia morrer a quebrar a minha fé.”

“I sent hym agayne worde, that I wolde rather dye, than to breake my faythe.”

Anne Askew, Examinations (ed. Bale, 1547)
A oração
“E, Senhor, de coração te peço que, pela tua bondade misericordiosíssima, lhes perdoes a violência que me fazem e me fizeram.”
Anne Askew, oração escrita em Newgate (ed. Bale, 1547)

Mito e fato

MitoFoi torturada para incriminar a rainha Catarina Parr.

FatoNo ecúleo, ela conta, queriam que confessasse que damas da corte eram da opinião dela. Ligar isso a um plano contra a rainha é inferência moderna.

MitoFoi a única mulher torturada na Torre.

FatoNão há fonte para isso. O que há é o relato dela, confirmado pela crônica de Wriothesley.

O que se ouve no episódio

A narração completa, com as falas dos personagens. As falas são palavras registradas, com a fonte na lista abaixo.

NarradorTorre de Londres, 1546. Uma jovem, já condenada à morte, é posta no ecúleo. Mais tarde, ela mesma escreveu:

Anne Askew…porque fiquei quieta e não gritei, o meu lorde chanceler e mestre Rich se deram ao trabalho de me esticar com as próprias mãos, até eu ficar quase morta.

NarradorEra Anne Askew, filha de um cavaleiro de Lincolnshire. Em Lincoln, ela contou:

Anne AskewEstando eu na catedral, lendo a Bíblia, vinham a mim de dois em dois, de cinco em cinco e de seis em seis, querendo falar comigo, e iam embora de novo sem dizer palavra.

NarradorEm 1545, foi interrogada em Londres. O chanceler do bispo lhe disse que São Paulo proibia as mulheres de falar da palavra de Deus.

Anne AskewRespondi que conhecia o sentido de Paulo tão bem quanto ele: que a mulher não deve falar na congregação como quem ensina. Então lhe perguntei quantas mulheres ele tinha visto subir ao púlpito e pregar. Ele disse que nunca vira nenhuma.

NarradorFoi solta naquele ano. No ano seguinte, foi levada ao Conselho do rei. Um bispo lhe disse que ela seria queimada.

Anne AskewRespondi que tinha examinado todas as Escrituras e nunca pude encontrar ali que Cristo ou os seus apóstolos tivessem matado criatura alguma.

NarradorDias depois, no Guildhall, confessou que não cria que o pão da missa se tornasse o corpo de Cristo, e foi condenada à fogueira, sem júri. Ao ser solta, desmaiou. Ficou duas longas horas sentada no chão nu, enquanto o lorde chanceler tentava convencê-la a deixar a sua opinião. Depois, levada a uma casa e posta numa cama, recebeu dele um recado: se deixasse a opinião, nada lhe faltaria; se não, iria para Newgate e seria queimada.

Anne AskewMandei-lhe dizer de volta que preferia morrer a quebrar a minha fé.

NarradorEm Newgate, segundo John Bale, ela fez uma balada e a cantou.

Anne AskewComo o cavaleiro armado chamado à batalha, com este mundo eu lutarei, e a fé será o meu escudo.

NarradorEm 16 de julho, foi levada a Smithfield. Segundo John Foxe, foi numa cadeira, porque não conseguia andar, e junto à estaca o chanceler lhe ofereceu por carta o perdão do rei. Ela não quis nem olhar as cartas. Morreu na fogueira com outros três condenados. Em Newgate, tinha escrito:

Anne AskewE, Senhor, de coração te peço que, pela tua bondade misericordiosíssima, lhes perdoes a violência que me fazem e me fizeram.

Galeria

A cadeira e o perdão recusado vêm só de John Foxe. As traduções do inglês antigo são literais e nossas.

A catedral de Lincoln. Wenceslaus Hollar, séc. XVII · Univ. de Toronto · Domínio público.
Thomas Wriothesley, lorde chanceler em 1546. Hans Holbein, o Jovem, c. 1535 · The Met · CC0.
A Torre de Londres, c. 1500. British Library, Royal MS 16 F II, f. 73 · CC0.
Smithfield, Londres, no mapa de Agas. c. 1561 · Domínio público.
Folha de rosto de Actes and Monuments, de John Foxe. 1563 · Domínio público.

Para salvar

O resumo do episódio em oito cartões. Deslize para o lado.

Cartão 1 do resumo de Anne AskewCartão 2 do resumo de Anne AskewCartão 3 do resumo de Anne AskewCartão 4 do resumo de Anne AskewCartão 5 do resumo de Anne AskewCartão 6 do resumo de Anne AskewCartão 7 do resumo de Anne AskewCartão 8 do resumo de Anne Askew

Fontes de cada afirmação

Afirmações e fontes

Narração Fonte
Já condenada, posta no ecúleo na Torre (1546); "fiquei quieta e não gritei…" Askew 1547 (A22095); Wriothesley, Chronicle, p. 167–168
Filha de um cavaleiro de Lincolnshire Bale 1546, prefácio; Foxe; Wriothesley
A catedral de Lincoln: "vinham a mim de dois em dois…" Askew 1546 (A22076), exame diante do bispo de Londres
Março de 1545: o chanceler do bispo e São Paulo; a resposta dela Askew 1546 (A22076)
Solta em 1545 Askew 1546 (fiança); Wriothesley, p. 155 (absolvida por júri, 13/6/1545)
Greenwich, 1546: "um bispo lhe disse que ela seria queimada" e a resposta Askew 1547 (A22095)
Guildhall: confessou e foi condenada sem júri Askew 1547; Wriothesley, p. 167–168 (18/6/1546)
O tenente, o desmaio, as duas horas no chão, o recado do chanceler e a resposta Askew 1547 (A22095); Foxe 1583
A balada feita e cantada em Newgate (estrofe 1) Bale 1547, título da balada
16/7/1546, Smithfield; com outros três condenados Wriothesley, p. 169–170; Bale 1547
A cadeira; o perdão do rei oferecido por carta e recusado Foxe 1583 (A67926), fonte única
A oração de perdão, escrita em Newgate Askew 1547, confissão "made in Newgate afore she suffered"

Leituras

  • Anne Askew, The first examinacyon (1546), ed. John Bale (EEBO-TCP A22076)
  • Anne Askew, The lattre examinacyon (1547), ed. John Bale (EEBO-TCP A22095)
  • John Foxe, Actes and Monuments (1583)
  • Charles Wriothesley, A Chronicle of England (Camden Society, 1875)
  • Acts of the Privy Council (1546)

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