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Os Reformadores
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Episódio 1 · 1527 – 1529

Martinho Lutero

“Castelo forte”

A peste chegou. A universidade fugiu. Ele escreveu: "Eu fico."

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Os anos do hino

Em 1527 a peste se espalhou por Wittenberg. A universidade se mudou para Jena, e o príncipe pediu a Lutero que fosse também. Ele ficou.

A casa dele virou hospital. Pessoas próximas morreram. Em 1528, morreu a filha Elisabeth, antes de completar oito meses.

Nesses anos, Lutero escreveu um hino a partir do Salmo 46. Em 1529 ele já estava impresso.

Linha do tempo

  1. 6/7/1527Lutero desmaia e pensa que vai morrer
  2. ago. 1527A peste se espalha; a universidade vai para Jena
  3. 19/8/1527"Eu fico", em carta a Spalatino
  4. 1/11/1527"Na minha casa começou a haver um hospital"
  5. 10/12/1527Nasce Elisabeth; a peste acaba
  6. 3/8/1528Morre Elisabeth
  7. 1529O hino já está impresso
Eu fico
“Eu fico. Pomerano e eu estamos aqui sozinhos, com os capelães. Mas Cristo está presente, para que não fiquemos sós.”

“Ego maneo… Christus autem adest, ne soli simus.”

Lutero a Spalatino, Wittenberg, 19 de agosto de 1527 (WA Br 4, nº 1130)

Pomerano é o apelido de João Bugenhagen, pastor de Wittenberg.

O hino
“Castelo forte é nosso Deus, espada e bom escudo; com Seu poder defende os seus em todo o transe agudo.”

“Ein feste Burg ist unser Gott, ein gute Wehr und Waffen…”

Martinho Lutero, impresso em 1529 · tradução de J. E. von Hafe (domínio público)

Mito e fato

MitoLutero escreveu o hino a caminho de Worms, em 1521.

FatoLenda do séc. XIX. A edição crítica (WA 35) data o hino entre 1526 e meados de 1528; em 1529 ele já estava impresso.

MitoA melodia veio de uma canção de bar.

FatoConfusão com o termo musical "Barform" (forma AAB), que não tem nada a ver com bar.

O que se ouve no episódio

A narração completa, com as falas dos personagens. As falas são palavras registradas, com a fonte na lista abaixo.

NarradorAgosto de 1527. A peste se espalha por Wittenberg. A universidade se muda para Jena, e o príncipe pede a Lutero que vá também. Ele escreve a um amigo:

LuteroEu fico. Pomerano e eu estamos aqui sozinhos, com os capelães. Mas Cristo está presente, para que não fiquemos sós.

NarradorEm julho, ele mesmo tinha desmaiado e pensou que ia morrer. Agora a peste chegava ao centro da cidade.

LuteroHoje enterramos a mulher de Tilo Dene, que ontem morreu quase nos meus braços.

NarradorNo fim de outubro, 10 anos depois das 95 teses, a peste entrou na casa dele.

LuteroNa minha casa começou a haver um hospital.

NarradorHanna, irmã do amigo Bugenhagen, deu à luz um bebê prematuro, sem vida, e morreu horas depois. Lutero escreveu:

LuteroA peste esteve três vezes na minha casa… Há muitos meses sou angustiado por tempestade e fraqueza de espírito… Ora para que a minha fé não desfaleça.

NarradorEm dezembro, nasceu uma filha, Elisabeth, e a peste foi embora. Antes de completar oito meses, a menina morreu.

LuteroMorreu a minha filhinha Elisabeth. Eu nunca teria acreditado que o coração de um pai amolecesse assim pelos filhos.

NarradorNesses anos de peste e de luto, Lutero escreveu um hino a partir do Salmo 46: Deus é o nosso refúgio e fortaleza. Em 1529, ele já estava impresso. Logo foi reimpresso em outras cidades, e em 1531 até camponeses cantavam versos dele.

Galeria

Não se sabe o dia nem o motivo exato em que o hino foi escrito.

Ein feste Burg na cópia manuscrita de Johann Walter, c. 1530. Germanisches Nationalmuseum, Nuremberg. CC0.
O hino no hinário de Spangenberg, Magdeburgo, 1545. Domínio público.
Lucas Cranach, o Velho, Martinho Lutero, 1528. Veste Coburg. Domínio público.
Lucas Cranach, o Velho, Catarina von Bora, 1528. Veste Coburg. Domínio público.
Wittenberg vista do Elba, 1536. Álbum de viagem de Ottheinrich, UB Würzburg. Domínio público.
A melodia na forma rítmica do séc. XVI (transcrição moderna). Domínio público.

Para salvar

O resumo do episódio em oito cartões. Deslize para o lado.

Cartão 1 do resumo de Martinho LuteroCartão 2 do resumo de Martinho LuteroCartão 3 do resumo de Martinho LuteroCartão 4 do resumo de Martinho LuteroCartão 5 do resumo de Martinho LuteroCartão 6 do resumo de Martinho LuteroCartão 7 do resumo de Martinho LuteroCartão 8 do resumo de Martinho Lutero

Fontes de cada afirmação

Afirmações e fontes

Narração Fonte
A peste se espalha por Wittenberg em agosto de 1527; a universidade vai para Jena Lutero, WA Br 4, nº 1130 (19/8/1527); Melanchthon, MBW 573
O príncipe pede a Lutero que vá também O eleitor João a Lutero, Torgau, 10/8/1527 (WA Br 4, nº 1127)
"Eu fico… Cristo está presente, para que não fiquemos sós" Lutero a Spalatino, 19/8/1527 (WA Br 4, nº 1130)
Em julho ele desmaiou e pensou que ia morrer Relatos de Jonas e Bugenhagen, 7/7/1527 (WA Br 4, p. 222, nota 3)
"Hoje enterramos a mulher de Tilo Dene…" mesma carta, 19/8/1527
"Na minha casa começou a haver um hospital" Lutero a Amsdorf, 1/11/1527 (WA Br 4, nº 1164)
Hanna Rörer, irmã de Bugenhagen: bebê prematuro sem vida, e ela morre horas depois WA Br 4, nº 1165 e nota 12 ao nº 1164
"A peste esteve três vezes na minha casa… Ora para que a minha fé não desfaleça" Lutero a Hausmann, 7/11/1527 (WA Br 4, nº 1166)
Elisabeth nasce em 10/12/1527; a peste acaba; ela morre em 3/8/1528 WA Br 4 (cartas de 14/12 e 31/12/1527; nº 1303)
"Morreu a minha filhinha Elisabeth…" Lutero a Hausmann, 5/8/1528 (WA Br 4, nº 1303)
O hino a partir do Salmo 46; impresso em 1529; reimpresso; camponeses cantam versos dele em 1531 WA 35, p. 185–229 e 455–457 (ed. Lucke); WA DB 3, 89; hymnologyarchive.com
A letra em português J. E. von Hafe (1829–1908), Psalmos e Hymnos, nº 270: domínio público
A melodia Seção A, forma isométrica (Zahn nº 7377), arranjo próprio; domínio público

O que ficou de fora de propósito

  • "Escrito a caminho de Worms", "em Augsburgo", "em 1º/11/1527", "durante a peste": lendas ou hipóteses.
  • "Melodia de cervejaria": confusão com o termo musical Barform.
  • A autoria da melodia não é afirmada.

Leituras

  • Cartas de Lutero de 1527–1528, WA Br 4
  • WA 35 (o hino, ed. W. Lucke, 1923)
  • J. Zahn, Die Melodien der deutschen evangelischen Kirchenlieder, nº 7377
  • Psalmos e Hymnos, trad. J. E. von Hafe
  • J. Julian, A Dictionary of Hymnology (1907)
  • Hymnology Archive, "Ein feste Burg"

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